segunda-feira, 1 de maio de 2017

"O Crente" de Joakim Zander [Opinião]


Este livro foi-me oferecido pela Suma de Letras (Penguin Random House Grupo Editorial) e devo começar por agradecer a oferta, que me permitiu conhecer outro autor dentro do panorama da literatura nórdica.

Joakim Zander estreou-se com a obra O Nadador, o primeiro livro da série com a personagem Klara Walldéen. O Crente dá continuidade a esta série, embora possa ser lido de forma independente. A leitura do primeiro volume poderá ajudar a compreender melhor as motivações de Klara, apesar do seu papel neste livro ser mais secundário.

O Crente transporta-nos para um problemático bairro de Estocolmo, de onde Yasmine Ajam fugiu, em busca de uma carreira ascendente em Nova Iorque.
Quatro anos depois, é forçada a regressar à sua cidade natal que está a ser alvo de violentos motins. Esses motins podem estar relacionados com o seu irmão Fadi, que foi dado como morto ao lutar ao lado do Estado Islâmico na Síria.

A narrativa desta obra divide-se em três perspetivas: a de Yasmine, onde acompanhamos o seu regresso a Estocolmo e a investigação que começa a fazer para encontrar o irmão; a de Fadi, que nos permite compreender como acabou envolvido com o Estado Islâmico; e, por fim, a perspetiva de Klara, que, em Londres, trabalha na elaboração de um relatório para a União Europeia, até perceber que pode estar envolvida numa perigosa trama internacional.
No final, os caminhos de Yasmine, Fadi e Klara vão-se cruzar num sufocante mês de agosto em Estocolmo.

A biografia do autor, apresentada no livro, refere que Joakim Zander "é reconhecido por misturar de forma magistral uma linguagem poética, suspense e uma perspetiva de alguém que conhece muito bem os bastidores dos jogos políticos".
A linguagem poética foi o aspeto que me provocou mais dificuldades na adaptação a este livro. O ritmo da história é algo lento, o que me pareceu dever-se à escrita do autor, demasiado trabalhada. Não que seja desagradável de ler, antes pelo contrário, mas quando leio um thriller, gosto que a ação seja constante e me provoque uma certa vontade de ler compulsivamente. Este livro não resultou comigo; deixava-me cansada ao fim de trinta páginas de leitura, embora a história propriamente dita me tivesse cativado.

Penso que O Crente é um livro que aborda temáticas bastante atuais, tais como a religião e os extremismos, o Estado Islâmico e a marginalização da sociedade. Gostei especialmente de ler sobre Fadi e as suas motivações para querer juntar-se ao Estado Islâmico. Pareceu-me que o autor mostrou bastante conhecimento através da forma como foi abordando o assunto.

No geral, não foi uma má leitura, mas gostaria que me tivesse deixado mais empolgada. Acredito que é um livro que agradará aos leitores que gostam de temas como religião, radicalização islâmica e política e conspirações internacionais.

Classificação: 2/5 estrelas

Nota: Este livro foi-me oferecido pela editora em troca de uma opinião honesta.

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